Assembleia Diocesana da Pastoral da Catequese – 17 de Março de 2018

Todo último domingo do mês de agosto, a Igreja no Brasil celebra o DIA DO CATEQUISTA, que dentro do mês vocacional, também é dedicado ao leigo.

A maior expressão do laicato hoje dentro da Igreja está no serviço de CATEQUISTA. Só em nossa diocese, somos 944 catequistas. E como educadores da fé, fazemos parte da equipe de ANIMAÇÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA que, juntamente com a ANIMAÇÃO BÍBLICA LITÚRGICA, formamos os dois pilares essenciais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

É uma missão fundamental, e a maior riqueza está em valorizar e reconhecer a importância da catequese como ensinamento essencial da fé, pois se é priorizando esse pilar, seja na Paróquia seja na comunidade, que o ensinamento da fé se torna uma base sólida, visível como fermento na massa.

O catequista está a serviço da iniciação à vida cristã. É uma formação gradual e contínua, onde iniciamos crianças, adolescentes, jovens e adultos no processo de educação da fé e nos três sacramentos iniciais (BATISMO, CRISMA E EUCARISTIA). Nosso principal objetivo é ser uma ponte entre o catequizando e Jesus, fazendo com que eles façam uma experiência do amor de Deus através do anúncio do Querigma.  Depois, dedicamos através dos encontros de catequese e celebrações litúrgicas, o estudo do conteúdo da fé, entrar na vida dos sacramentos, estudo da moral cristã e buscar ter uma profunda vida de oração. E a Bíblia se torna a centralidade dos encontros aperfeiçoando o método orante de escuta e prática cotidiana, FÉ e VIDA.

Importante mencionar que a catequese (ensinar) remonta à época apostólica, prática nas primeiras comunidades, sec. I e II. Já nos séculos III e IV elaborou-se o catecumenato que dava formação sistemática e celebrativa aos que queriam se tornar discípulos de Jesus. Mais tarde, na Idade Média, a fé cristã se encarnou na religiosidade popular; na época moderna, acentuou-se o conhecimento doutrinal da formação religiosa. E desde o século XX, principalmente após o Concílio Vaticano II, fortaleceu-se uma catequese mais bíblica e celebrativa. Por isso, ser catequista é dar continuidade ao ministério da Palavra iniciado por Jesus e transmitida aos apóstolos. A catequese é uma tradição oral, contada, passada, ensinada de geração em geração. “O catequista dedica-se de modo específico ao serviço da Palavra, tornando-se porta-voz da experiência cristã de toda a comunidade. O catequista é, de certo modo, o intérprete da Igreja junto os catequizandos. Ele lê e ensina a ler os sinais da fé” (CR 145).

A nossa Diocese de Guajará-Mirim, pelo atual senso, conta que nós catequistas, estamos à serviço em todas as paróquias. Na região Sede, coordenado pela catequista Hingry, temos a conta de 60 catequistas em cada uma das Paróquias, N. S. Seringueiro e N. S. Aparecida, na cidade de Guajará-Mirim, e os coordenadores paroquiais são, Ronaldo e Eudiene, respectivamente. Em Nova Mamoré, a paróquia São Francisco de Assis, tem 45 catequistas, a Marlene é a coordenadora; São 71 catequistas em Nova Dimensão (N. S. de Fátima) o Odair José é o coordenador paroquial. Na região Centro, a coordenadora é a Marli, e, nas paróquias São Francisco de Assis (cidade de São Francisco), tem 75 catequistas, o Anselmo é o coordenador; na Basílica Menor (Costa Marques) tem 45 catequistas, a Marli é a coordenadora.  Em São Domingos de Gusmão, distrito de São Domingos, há 26 catequistas, a Edna é a coordenadora. Em Seringueiras, o padre Francisco coordena 90 catequistas. E, em São Miguel Arcanjo é o Edson quem coordena 153 catequistas. Já na Região Sul, a Maria José faz a articulação das paróquias de Cristo Rei (Cabixi), que tem 62 catequistas e é coordenada pela Maria Aparecida; N.S. Perpetuo Socorro em Corumbiara com 60 catequistas, tem a Olga como coordenadora; A paróquia Cristo Rei (Cerejeiras) conta com 85 catequistas, Ana Maria é a coordenadora paroquial e na paróquia N. S. Aparecida, cidade de Colorado D’Oeste tem 112 catequistas e a Maria José as coordenam. Nestas regiões queremos lembrar que há o trabalho de assessoria do clero, da Ir. Luciana, Pe. Renato e Ir. Rosangela.

Temos ainda, os catequistas que coordenam a catequese diocesana, Maria Cristina, Mª Rosangela e Eudiene. Vale ressaltar, que além de mim, a nova coordenação que assumirá a partir da próxima assembleia em 2019, são os catequistas Ronaldo, Sueli e Francisco, não se esquecendo da assessoria do Padre Willian, de Colorado, que nos auxilia e orienta na caminhada e projetos pastorais.

Nós catequistas semeamos, mas sabemos que quem faz florir é o Senhor. Que neste dia 26, domingo, possamos celebrar, festejar e louvar a Deus pela vocação mais linda dentro da Igreja: catequista por amor, vocação e doação.

 

Maria Cristina

Coord. Diocesana da Past. da Catequese

Manaus, 20 de Agosto de 2018

Entre os dias 20 a 23 de agosto de 2018 em Manaus, aconteceu o III Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal. Este evento é organizado pela Comissão Episcopal para a Amazônia, CNBB – Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil e REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica. Tem como objetivo aprofundar as questões relacionadas ao Sínodo para a Amazônia convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2019, a abertura do Sínodo praticamente aconteceu em Puerto Maldonado – Peru, por ocasião do encontro do papa com os indígenas. Vivemos um tempo crucial quanto ao futuro da vida humana em nosso planeta como bem alertou O estudioso L. Fabius em Paris, na COP21, sobre a crise climática: “Mais tarde, tarde demais”.

O sínodo para a Amazônia visa refletir sobre os novos caminhos de evangelização a ser elaborados para o povo de Deus que habita nesta região: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades, e grandes metrópoles, ribeirinhos, quilombolas, migrantes, deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas.

A bacia amazônica representa para o nosso planeta uma das maiores reservas de biodiversidades (30 a 50% da flora e fauna do Mundo), de agua doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. São mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados, com nove países que fazem parte deste grande bioma que é a Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela incluindo a Guiana Francesa como território ultramar).

Registra-se uma presença aproximada de três milhões de indígenas, constituída por cerca de 390 povos e nacionalidades diferentes. Num território tão diverso, com muitos tipos de “Amazônia”, a ocupação demográfica da mesma antecede o processo colonizador por milênios. Continuamente, sem embargo, a riqueza da floresta e dos rios da Amazônia está ameaçada pelos grandes interesses econômicos que se alastram sobre diferentes regiões do território.

Lamentavelmente, ainda hoje existe restos do projeto colonizador que criou manifestações de inferioridade e satanização das culturas dos povos tradicionais; por isso em Puerto Maldonado o Papa Francisco afirmou: “provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como agora, a Amazônia é uma terra disputada em várias frentes”.

Por isso ele foi enfático em pedir que se transforme o paradigma histórico em que os estados veem a Amazônia como despensa de recursos naturais sem ter em conta os seus habitantes.

É necessário também reconhecer que na região amazônica existe uma grande diversidade cultural e religiosa. Em sua maioria promovem o bem viver como projeto de harmonia entre Deus, os povos e a natureza. O desafio são algumas denominações religiosas, sobretudo pentecostais que motivadas por interesses alheios ao território e a seus habitantes nem sempre favorecem uma ecologia integral.

O III Encontro da Igreja Católica na Amazônia legal é um chamado, uma oportunidade de enfrentar estes cenários, aprofundando a identidade eclesial, partilhando experiências, crescendo no compromisso ético e libertador, crescendo na espiritualidade da escuta e da sabedoria de seus povos.

 

+ Dom Benedito Araújo

Bispo Diocesana de Guajará-Mirim

Entre os dias 20 e 23 de agosto, os responsáveis pelas igrejas locais participam do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, na Casa de Encontro Maromba, em Manaus. O objetivo é partilhar experiências, criar metas em conjunto a partir da Amazônia brasileira e aprofundar questões relacionadas ao Sínodo para a Amazônia. A atividade é organizada pela Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM e Comissão Especial para a Amazônia/CEA, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O encontro, que reunirá cerca de 50 bispos de toda a Amazônia brasileira, terá na mesa de abertura, na noite do dia 20 de agosto, o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, presidente da REPAM e da Comissão Especial para a Amazônia/CEA; Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus; e Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima e presidente do Regional Norte 1 da CNBB.

De acordo com o Cardeal Hummes será um encontro marcante para a Igreja da Amazônia. “Com certeza será um encontro histórico pois terá como tema o futuro Sínodo para a Amazônia. A Igreja visa encontrar novos caminhos para sua presença e atuação missionária na região. A crise climática e ecológica mundial torna ainda mais atual o tema. Também a nova evangelização promovida pelos últimos papas faz parte do contexto”, afirmou o Cardeal.

Na programação da atividade haverá, também, uma análise de conjuntura que contará, entre os assessores, com o Procurador da República, Felício Pontes. Outro ponto alto da atividade é a partilha das realidades e trocas de experiências dos bispos em vista de uma Igreja com rosto Amazônico.

Sínodo para Amazônia

Convocado pelo Papa Francisco para ser realizado em outubro de 2019, o Sínodo para a Amazônia será o grande destaque do encontro. Ele será apresentado aos bispos pelos brasileiros membros do Conselho Pré-Sinodal – Cardeal Cláudio Hummes, Dom Neri Tondello, Dom Roque Paloschi, Dom Erwin Krautler e Ir. Maria Irene Lopes – e da equipe de expertos que contribuíram na elaboração do Documento Preparatório, Pe. Justino Rezende, indígena da etinia Tuyuka, Pe. Paulo Suess, a leiga e professora Márcia Oliveira, e Peter Hughes, do Peru.

Em processo de realização, já que o Sínodo teve sua abertura em janeiro, em Porto Maldonado, como afirmou o Papa Francisco por ocasião da visita ao Peru, as dioceses da Pan-Amazônia promovem momentos de escuta em todo o território com os povos. O encontro será oportunidade de apresentar aos bispos as atividades realizadas e os materiais produzidos que podem contribuir com a dinâmica sinodal.

www.repam.org.br

Neste domingo, 12 de agosto, a Igreja no Brasil inicia a 27ª edição da Semana Nacional da Família (SNF), que tem como tema “O Evangelho da Família, alegria para o mundo”, a mesma temática do IX Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, que acontece de 22 a 26 de agosto, em Dublin, na Irlanda, .

Reprodução: A12.com

O bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom João Bosco Barbosa de Sousa, explica que: “o tema ressalta o lado positivo da Família como um dom de Deus e que não é apenas um aspecto da doutrina, um valor para os cristãos ou para as pessoas religiosas. É uma riqueza para o mundo, para a humanidade toda”.

Até o dia 18 as comunidades têm como guia para as celebrações, reflexões, roteiros de oração e cantos o subsídio “Hora da Família”, que já está disponível. A Pastoral Familiar encoraja os leigos e leigas a participar, dialogar, acreditar, se doar, testemunhar e se fortalecer por meio do Evangelho que é fonte de alegria quando vivenciado com amor e convívio familiar.

Amoris Leatitia continua sendo a maior inspiração das páginas do Hora da Família 2018. Com seu conteúdo sempre fiel à Palavra divina e à doutrina da Igreja consegue levar a fé e a esperança a todos que se mantinham distantes do amor de Deus.

Divulgação

“O material oferece inúmeras ocasiões de encontros, celebrações, ações missionárias, palestras e eventos sobre os temas ligados à família para serem feitos nas comunidades”, destaca o bispo.

Este ano, o “Hora da Família” traz uma relação especial com o 9º Encontro Mundial das Famílias. Trata-se de uma ocasião privilegiada para agradecer a Deus, valorizar, defender a família, cultivar os valores familiares. Além de integrar todas famílias na grande família que é a Igreja.

“Esperamos que esse encontro chame a atenção do mundo para a importância da família, construída segundo a vontade de Deus, pois só assim ela pode ser alegria para o mundo”, ressalta dom Bosco.

Desde junho, a Pastoral Familiar anima os agentes e grupos paroquiais e diocesanos para fazer um trabalho conjunto dentro das comunidades em todo o país. A celebração da Semana da Família é preparada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF).

Para o Encontro Mundial das Famílias, o Brasil, além das famílias que se inscreveram no encontro, estarão presentes o presidente da Comissão para a Vida e Família da CNBB, dom João Bosco Barbosa de Sousa, o assessor nacional da comissão, padre Jorge Alves Filho e o casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Luiz Zilfredo Stolf e Carmen Rodrigues Stolf.

Desde os anos 60, têm sido divulgados números hoje sabidamente falsos sobre as estatísticas de abortos provocados.

Quando o Brasil contava com apenas 80 milhões de habitantes, a revista “Realidade” (maio de 1966) publicava que se realizavam no Brasil um milhão e quinhentos mil abortos por ano. Em setembro do mesmo ano, a mesma revista descia aos detalhes: seriam exatamente 1.488.000 de abortos por ano.

Na mesma época, quando os Estados Unidos contavam com 200 milhões de habitantes, o médico que coordenou a campanha pela legalização do aborto em Nova York divulgava que se realizavam ali 1 milhão e meio de abortos por ano. Mais tarde, após o aborto ter sido legalizado, ele declarou publicamente que sabia que não passavam de 100 mil e que ele havia mentido, mas afirmou também que ninguém lhe havia perguntado as razões do número apresentado.

Em 2003, o atual vice-ministro da saúde do Uruguai declarou em audiência pública no Senado que se realizavam no país 150.000 abortos por ano. No ano seguinte, o número foi corrigido para 33.000 abortos por ano, mas em 2006 já se falava em 52.000 abortos por ano. Próximo à legalização do aborto, passou-se novamente a insistir na cifra de 33.000 abortos por ano. Mas, após a prática ter sido aprovada pelo Congresso e quando o governo já declarava que não mais se faziam abortos clandestinos no país, verificou-se que se realizavam apenas seis mil abortos por ano no Uruguai.

Esse modo de tentar comprovar a necessidade de aprovar o aborto tem sido recorrente quando da discussão sobre o aborto. Os promotores do aborto sempre multiplicaram os verdadeiros números por 10 ou 20 vezes. O ardil sempre funcionou porque ninguém foi conferir as razões dos números.

Ao tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADPF 442, que pretende declarar o aborto como um direito fundamental, repete-se a mesma tática. Não podemos assistir o mesmo filme e repetir os mesmos erros. É importante desmascarar uma impostura já conhecida e estudada, mas principalmente afirmar que os verdadeiros números apontam para a necessidade de políticas públicas com as quais as mulheres não precisam do aborto para serem socorridas.

No dia 29 de junho de 2018, um Jornal publicou artigo em que afirma ter obtido em primeira mão um levantamento que “consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF em ação que pede a descriminalização do aborto”.

A notícia assegura que, no Brasil, se provocam 1 milhão e 200 mil abortos por ano. Sustenta, com base nestes números, que, em uma década, o SUS gastou R$ 486 milhões com internações para tratar as complicações do aborto, sendo 75% deles provocados. De 2008 a 2017, 2,1 milhões de mulheres teriam sido internadas por este motivo. Este número inclui as internações por abortos naturais e provocados, o que daria cerca de 200.000 internações por ano por causa de abortos. É deste total que o Ministério da Saúde afirma que 75% são de abortos provocados, o que representaria, por ano, 150.000 internações por aborto provocado e apenas 50.000 por aborto natural.

Mas, como pode ser isto, se no Brasil nascem 2 milhões e 800 mil crianças por ano? Ora, os tratados de medicina afirmam que o número de abortos naturais, que ocorrem, em sua maioria, na segunda parte do primeiro trimestre, representa, em média, 10% do número das gestações. Neste caso, como a grande maioria dos abortos naturais passa por internações hospitalares, somos obrigados a afirmar que a grande maioria das 200.000 internações por aborto no Brasil se devem a abortos naturais, e não a abortos provocados. Ademais, confirma este número qualquer médico com experiência em pronto atendimento obstétrico, que dirá que os abortos provocados representam, no máximo, e possivelmente com exagero, 25% das internações por aborto. Assim, teríamos, no máximo, 50 mil internações por ano de mulheres que provocaram abortos.

No Brasil, em 2010 e 2016, foram realizadas duas pesquisas nacionais sobre o aborto, patrocinadas pelo Ministério da Saúde e premiadas pela Organização Pan-americana de Saúde. Estes estudos, intitulados “Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna”, encontraram que, de cada 2 mulheres que praticam o aborto, uma tem de ser internada.

Ora, no Brasil, temos 200.000 internações por aborto a cada ano, incluídos aí os abortos provocados e os abortos espontâneos. Este número está em diminuição há alguns anos, cerca de 10% ao ano, segundo o DATA SUS.

Os obstetras que trabalham em atenção emergencial nos hospitais dizem, conforme já exposto, que a maioria dessas internações são de abortos naturais. No máximo 25% seriam de abortos provocados.

Portanto, haveria, por ano, 50.000 internações por abortos provocados, no Brasil. Então, como para cada dois abortos uma mulher é internada, teríamos um total 100 mil abortos provocados por ano no Brasil.

Este número é coerente com os dados dos livros de ginecologia e patologia, que dizem que cerca de 10% das gestações terminam em aborto espontâneo entre o segundo e o terceiro mês. Vejamos: como no Brasil temos 200 milhões de habitantes e 2.800.000 nascimentos por ano, o número de abortos naturais deveria ser de aproximadamente 280.000. Sabe-se que a maioria destes casos são atendidos em hospitais, para curetagem ou outros procedimentos. Este número é coerente com as 200.000 internações por aborto no sistema de saúde.

Assim, quando se estima que a maioria das internações por aborto se deve ao aborto espontâneo, além do testemunho dos médicos, temos uma fundamentação estatística para isso. A estimativa de, no máximo, 25% de abortos provocados nas internações por aborto, portanto, é provavelmente um número já superestimado.

Além disso, temos os números do IBGE, em cuja Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 se encontra a relação entre o número estimado de abortos espontâneos e de abortos provocados de 7,6 vezes mais abortos espontâneos que abortos provocados. Não há indicação de como estes dados foram calculados, mas é uma proporção de quase a metade do que supõem as estimativas aqui trabalhadas.

Portanto, já com possíveis superestimações, o número de abortos provocados deve ser estimado em metade das internações totais por aborto, ou seja, 100 mil abortos provocados por ano, já provavelmente superestimados.

Contudo, o IPAS, uma organização que promove o aborto internacionalmente, e o Instituto Allan Guttmacher, que pertence à IPPF, uma organização que é proprietária da maior rede de clínicas de abortos do mundo, dizem o contrário: que se deve multiplicar este número de internações por 5 ou por 6. Com isso, obtém-se as cifras de aborto para o Brasil entre 1 milhão e 1 milhão e meio de abortos por ano.

Este multiplicador é semelhante ao que o Dr. Bernard Nathanson, o articulador da legalização do aborto em Nova York em 1970, utilizou pela primeira vez, quando sabia que os abortos provocados nos Estados Unidos eram, no máximo, 100 mil, e disse para a imprensa, com a intenção de promover a legalização do aborto, que eram 1 milhão e meio, sem dar justificativas, cifras que, aliás, ninguém questionou. Naquela época a população americana era de 200 milhões, igual à do Brasil de hoje.

Mas no Brasil, desde os anos 60, quando nossa população era de 80 milhões, já se afirmava que se faziam 1 milhão e meio de abortos por ano. Quem divulgava estes números era a filial da IPPF no Brasil, chamada Benfam. O número nunca foi justificado.

Este número continuou a ser apresentado inalteravelmente até hoje, porém, as instituições que realizaram em 2010 o estudo “Aborto no Brasil: uma pesquisa domiciliar com técnica de urna”, ao repetirem seu estudo em 2016, diante do fato que os movimentos em favor da vida já estavam apresentando os dados corretos, encontraram um modo de calcular este número não mais em 1 milhão e meio, mas em 412 mil por ano.

O argumento utilizado para fundamentar este número, que agora seria de 412 mil abortos, foi que, em 2016, teriam sido entrevistadas um total de 2002 mulheres entre 18 e 39 anos, das quais 251 teriam dito ter feito um aborto e, entre estas 252 mulheres, 27 teriam dito ter feito aborto em 2015, ou seja, 1,35% do número total das 2002 mulheres. Portanto, como há cerca de 37 milhões de mulheres com idade entre 18 e 39 anos no Brasil, multiplicando este número por 1,35%, obteríamos um total, segundo o estudo, entre 400.000 a 500.000 abortos provocados por ano.

Porém, o que não se consegue explicar é: por que se dizia que este número era de 1 milhão e meio até a pouco tempo? E por que agora o Ministério da Saúde, que patrocinou estas duas pesquisas, volta aos mais de um milhão de abortos por ano, segundo as tabelas oferecidas ao STF, que a Folha de São Paulo afirma ter copiado em primeira mão?

Mas, mesmo se um número de 400.000 fosse verdadeiro, então, neste caso, como as duas pesquisas constataram que, de cada duas mulheres que provocam aborto, uma é internada, teríamos de ter 200.000 internações por ano somente por aborto provocado no sistema de saúde. Se o número de abortos naturais é bastante maior que o de abortos provocados, consequentemente, teríamos que ter um número total de internações por aborto em torno de 800.000 ao ano, um número que não se verifica. Além disso, se no Brasil tivéssemos 800.000 de internações por aborto por ano, deveríamos ter cerca de 7 ou 8 milhões de nascimentos por ano, o que também não se verifica.

Segundo os próprios dados oferecidos pelas pesquisas dos defensores do aborto, esses números são flagrantemente insuflados e não podem corresponder à realidade. Se o Ministério da Saúde ofereceu este relatório ao STF e ao Jornal, isso já não sabemos.

Contudo, poderia restar, ainda, uma dúvida. E se estes números apresentados pela Folha ou pelos movimentos a favor do aborto fossem verdadeiros, não deveríamos legalizar o aborto para solucionar o problema?

Ora, uma eventual pergunta como esta nos parece apenas fruto da incapacidade de entender a realidade das coisas e da própria obstinação em se legalizar o aborto. Números não são apenas números, números sempre são sintomas de alguma realidade que seria a sua causa. A própria pergunta mostraria a incapacidade do autor em compreender a irrealidade que estaria por detrás destes números. Se, de fato, as mulheres brasileiras praticassem estes milhões de abortos clandestinos por ano, mais do que um problema de saúde, isso seria sinal de uma desintegração social sem proporções, uma situação que exigiria reformas estruturais imediatas e profundas, semelhantes às que ocorreriam em uma situação de pós-guerra. Ninguém, a não ser um ativista que pensa apenas na causa e, por causa disso, sua paixão não lhe permite captar a realidade, pensaria em oferecer a legalização do aborto como solução para reconstruir um país socialmente desestruturado por uma calamidade. Ademais, dadas as consequências psiquiátricas traumáticas reconhecidamente causadas pelo aborto, a magnitude de um número como este, aumentando entre 10 a 20 vezes a realidade do país, significaria a existência uma realidade social tão nitidamente desumanizada e aterradora, que não haveria sentido em nos indagarmos sobre a legalização do aborto, e sim, ao contrário, em como deveríamos reconstruir positivamente o tecido social.

 

Dom João Bosco B. Sousa, OFM,
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB,
Bispo Diocesano de Osasco – SP

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