Para o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, falar da causa indígena é olhar para a cruz e o mistério do sofrimento. “O sofrimento dos indígenas nunca passa da sexta-feira Santa, eles são sempre vilipendiados e vítimas de escárnio no Brasil”, disse o presidente do Conselho Indígena Missionário (CIMI) na Coletiva de Imprensa desta quarta-feira, 18, na 56ª Assembleia Geral da CNBB.

Para exemplificar, o religioso citou o assassinato do professor da etnia Xokleng Marcondes Namblá, morto na cidade de Penha (SP) em janeiro, o assassinato do também professor Daniel Kabixana Tapirapé, em Confresa (MT) no mesmo mês, o incêndio na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) na terra indígena Karipuna, no estado do Rondônia, em fevereiro deste ano. E ainda a ação violenta da Polícia Militar em Passo Fundo (RS), praticada contra 12 famílias do Povo Kaingang, no dia 15 de fevereiro.

Estes casos, segundo dom Palochi, não são isolados mas revelam como estão sendo tratados os povos indígenas no Brasil. O religioso disse que os relatórios anuais que o CIMI publica vem demonstrando regularmente um aumento da violência contra os povos originários.

Omissão dos 3 poderes – O presidente atribuiu esta escalada de violência à omissão dos três poderes do Estado Brasileiro e ainda apontou as iniciativas que estão em curso em cada um destes que farão retroceder os direitos dos povos indígenas no Brasil. No Executivo, ele citou parecer vinculante da Advocacia Geral da União (AGU), nº 001/2017, com a finalidade de paralisar processos de demarcação de terras indígenas no Brasil, bem como anular demarcações já realizadas.

Ele citou também a emenda constitucional nº 95 do governo federal que congela os gastos sociais por 20 anos. O orçamento da Funai, com esta emenda, sofreu corte de 0,018% para 0,02%, o que para o religioso trata-se de um enfraquecimento das ações governamentais para assegurar direitos dos índios.

No poder Legislativo, ele citou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000 que busca transferir do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre demarcação de terras indígenas. No Judiciário ele citou a tese do “marco temporal” que busca restringir o alcance do direito à demarcação das terras indígenas, já que vincula este à presença física, e não tradicional, das comunidades nos seus territórios ao período de 05 de outubro de 1988, data da promulgação da nossa atual Constituição Federal.

O religioso afirmou que este conjunto de ações está sendo coordenado para que haja perda de direitos e mais criminalização de lideranças que lutam pelos direitos dos povos originários no Brasil. Diante deste quadro, defende dom Roque Paloschi, a Igreja não pode ficar calada. “A Igreja não pode se omitir e ficar indiferente aos direitos que estão sendo negados e à destruição da mãe Natureza”, disse.

No penúltimo dia da 56ª Assembleia Geral da CNBB, além de fazerem os arremates finais com informes gerais e últimas votações, os bispos terão encontros de referenciais das comissões episcopais e uma reservada com os membros dos 18 regionais. No começo da tarde, a presidência da Conferência atende os jornalistas na última Entrevista Coletiva na qual serão apresentadas dois documentos elaborados e aprovados pelo conjunto do episcopado. Um trata da conjuntura eclesial e o outro sobre as próximas eleições.

Coordenação dos trabalhos

Desde o início da Assembleia, no dia 11 de abril até a tarde desta quarta-feira, os trabalhos em plenário foram coordenados pelo bispo auxiliar de São Luís (MA), dom Esmeraldo Barreto de Farias. A ele coube a função de secretário ad hoc neste encontro dos bispos. Segundo o regimento interno da Assembleia, a tarefa do secretário é a de “coordenar o plenário “.

A partir da tarde de hoje, o arcebispo coadjutor de Montes Claros (MG), dom João Justino de Medeiros Silva, vai coordenar os trabalhos finais da Assembleia.

Ultimas providências

Duas importantes tarefas foram adiadas para hoje: a finalização das indicações para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e a aprovação do texto da última mensagem dirigida ao povo brasileiro elaborada nesta Assembleia Geral. Além disso, seguem os informes de vários grupos e comissões que têm relatos significativos para o conjunto do episcopado.

Ainda consta da pauta oficial duas reuniões reuniões de importância estratégica para o trabalho de animação da ação evangelizadora em todo o País. A primeira será o encontro entre os membros das comissões episcopais com os bispos referenciais dos 18 regionais da CNBB. Neste encontro, serão apresentadas as principais atividades que cada comissão deve realizar até a assembleia do ano que vem. É uma oportunidade para que os presidentes dessas comissões que também fazem parte do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) escutem os bispos que atuam em diversas áreas da evangelização diretamente com as dioceses.

A segunda reunião, última atividade do dia, deve ser realizada nas salas do subsolo do Centro de Eventos e vai reunir os bispos por regionais. Este encontro tem caráter reservado.

Coletiva

Mais breve que nos outros dias da Assembleia, a Coletiva de Imprensa, vai ser realizada com os membros da presidência presentes em Aparecida, cardeal Sergio da Rocha e dom Murilo Krieger, e o presidente da comissão que preparou e estudou com os bispos o tema central deste ano, as “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros”, dom Jaime Spengler.

Na parte que caberá à presidência da CNBB, serão apresentados dois documentos, duas mensagens ao povo católico brasileiro e às pessoas de boa vontade. A primeira mensagem se refere ao posicionamento da Conferência sobre a realização das próximas eleições no Brasil. Como de costume, em anos eleitorais, os bispos apresentam uma série de questões e orientações importantes para ajudar o eleitor brasileiro.

A Santa Missa desta terça-feira (17), no Santuário Nacional de Aparecida, fez memória aos 15 bispos falecidos desde a última assembleia em 2017. O Arcebispo de Maceió (AL), dom Antônio Muniz Fernandes presidiu a celebração no Altar Central.

“Hoje celebramos nossos irmãos que participam conosco, que disseram um até logo, até breve, e que hoje dizem para a nossa Conferência: coragem, eu venci o mundo”, disse durante a homilia.

Dom Antônio Muniz disse que “A nossa Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nunca foi, nem nunca será um sindicato ou um partido político. Nossa conferência com este quadro orante que fizemos para o dia de hoje é uma pérola preciosa, se não a mais preciosa no infinito mistério de comunhão”.

Reprodução: TV Aparecida

E continuou: “E neste momento orante, precedido de dois outros grandes momentos orantes e todos os momentos vividos em oração pela CNBB, igreja orante, igreja missionária, forte, corajosa, cheia de confiança na palavra do Senhor, tornando-se missionária. E o que dizer da nossa Igreja samaritana. A vida desses nossos irmãos que aqui perfila-se diante de nós, em nossos corações e nosso olhar, foi marcada pela doação do bispo a sua Igreja e ao seu povo e de modo especial, samaritana, sarando tantas e tantas feridas”.

Dom Antônio fez, ainda, uma menção a duas homilias das últimas missas celebradas no início de cada dia de Assembleia. A presidida pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni d´Aniello e a que fez memória aos bispos eméritos, presidida pelo arcebispo emérito de Manaus (AM), dom Luiz Soares Vieira.

“Como se pode negar que a CNBB, a nossa Conferência, não é este estilete de prata com o qual Deus escreve a história de nossa pátria, o Brasil. Juntos com todos celebramos este dia. Neste dia em que fazemos memória dos nossos bispos falecidos desde a última assembleia da CNBB, assumo as palavras de uma criança prestes a morrer, portadora e em tratamento do câncer. E que dizia para seu médico, mamãe saiu para chorar e era para chorar de saudade. Ela sabia. O médico ficou impressionado com tanta sabedoria daquela criança aquilo que eu gostaria de resumir esta nossa reflexão de hoje. Minha filha o que é saudade? Ao que ela responde, exatamente, saudade é o amor que fica. Agradeçamos a Deus que esconde todas essas coisas aos sábios e entendidos e revela aos pequeninos”, refletiu o bispo.

Ao final, ressaltou que todos “Hoje, olhando esses nossos irmãos, quanta gente, quantas ovelhas, e quantos de nós tem no seu coração, saudade que é o amor que fica. Que ele permaneça sempre no meio de nós e o seu amor nos nossos corações, amém”.

O sexto dia de trabalhos da 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou com a Santa Missa celebrada no altar central do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na manhã desta segunda-feira, 16.

A celebração foi presidida pelo bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen. Participaram da procissão de entrada os bispos da Comissão e a presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Marilza Schuina.

Dom Severino começou a homilia recordando que o Ano Nacional do Laicato celebra a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil aprofundando sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, testemunhando Jesus Cristo e seu reino na sociedade.

A partir deste objetivo do Ano do Laicato, o bispo fez uma reflexão a partir da primeira leitura (At 6,8-15), na qual Estevão enfrenta um grande conflito com alguns membros da sinagoga dos libertos e outros tradicionais da comunidade ao aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão para poder, com liberdade, testemunhar Jesus Cristo e seu reino.

“Nota-se claramente um conflito provocado por Estevão por ultrapassar os velhos costumes e se deixar conduzir pelo Espírito Santo em defesa da comunidade”, ressaltou o bispo.

Refletindo sobre o Evangelho, dom Severino diz que Jesus anuncia com a vida a sintonia com o Pai: “Nós temos Jesus Cristo para apresentar ao mundo onde falta o alimento da verdade, da justiça e autenticidade. Esse é o alimento que nunca se corrompe”.

O bispo ressalta que é preciso incentivar e apoiar as iniciativas do Ano Nacional do Laicato para que produza na consciência de todos dos cristãos a firmeza de buscar o Jesus de Nazaré que apresente o Reino de Deus, o Reino sem corrupção, um Reino de Justiça e de paz. “A espiritualidade Cristã sempre terá por fundamentos os mistérios da encarnação e da redenção de Jesus Cristo. Este enfoque deve permear a formação laical desde o processo da iniciação a vida cristã”, salientou.

“Não existe fé cristã sem comunidade eclesial”, continuou dom Severino. Ele ensinou que o cristão se forma e se experimenta numa comunidade eclesial: “O testemunho de Santo Estevão que foi martirizado defendendo a comunidade de fé se repete nos mártires de ontem, de hoje e que sem dúvida teremos no amanhã”.

Dom Severino lembrou que nos últimos anos tem aumentado o assassinato de muitas lideranças nas comunidades periféricas que não são notícias, ou que são desmoralizadas para que não sejam notícias.

“São pobres que morrem. É preciso levantar esses nomes e evitar que outros líderes que defendem os pobres sejam preservados e possam encorajar todas as pessoas para que superem a onda de ódio, de perseguição, de mortes brutas financiadas pela força do capital e entidades secretas que matam, destroem vidas e a dignidade dos filhos de Deus”, destacou.

E completou: “A busca do pão vivo deve ser a maior preocupação dos cristãos leigos e leigas para que as estruturas sociais garantam o pão cotidiano, aquele pão que une e constrói segurança e sustentabilidade para toda a comunidade, humanidade, sobretudo aos pobres, abandonados, os sofridos de nossas cidades e metrópoles”.

Dom Severino finaliza invocando o Espírito Santo que ilumine a todos para que a 56ª AG confirme o princípio da unidade, caridade, ternura. “Não nos deixemos desanimar pelos que que tentam destruir a alegria de sermos irmãos e de que nos queremos bem”, concluiu.

O perfil predominante dos padres brasileiros, segundo dom Pedro, é de um presbitério jovem, diocesano e de brasileiros (já houve uma predominância de padres estrangeiros). Esses dados gerais emergem de uma pesquisa ainda inconclusa que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está desenvolvendo desde 2014. Os dados foram apresentados pelo arcebispo de Palmas (TO), dom Pedro Brito Guimarães, na segunda Coletiva de Imprensa da 56ª Assembleia Geral (AG) da CNBB, realizada dia 12/04.

O levantamento teve início em 2014 com a formulação de um questionário de 100 perguntas que foi enviado a 25 mil padres brasileiros. Destes, 1/3, cerca de 7 mil responderam, informou o religioso. “Percebemos, pela pesquisa, que apesar das dificuldades os padres brasileiros estão animados com a sua vocação e missão e não tem medo de assumir seu seguimento e anúncio de Jesus Cristo”, disse. A pesquisa foi um dos subsídios que deu suporte à elaboração do texto sobre o tema central da 56ª AG.

Além deste levantamento, dom Pedro Brito, membro da Comissão de Elaboração do texto sobre o tema central, falou sobre o documento “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”. O religioso destacou que a formação de um presbítero não se encerra quando é ordenado. “Depois de ordenado, como toda pessoa e todo profissional, inicia a fase da a formação continuada do padre” disse.

Tempos e espaços da formação – A formação continuada seria a última fase de um processo permanente de formação que tem início com o trabalho da Pastoral Vocacional e se estende pela formação inicial – que compreende as demais fases de estudo, incluindo a formação em filosofia e teologia. O arcebispo apresentou aos jornalistas a estrutura e os conteúdos do texto mártir que está em processo de análise e aprovação pelo episcopado brasileiro.

O texto é constituído de três capítulos. O primeiro, cujo título é “As coordenadas para a formação presbiteral” trata dos desafios do contexto e da realidade, bem como os fundamentos previsto no magistério da Igreja para esta formação. Nele também consta a ideia do processo formativo dos sacerdotes que deve ser único, integral, comunitário e missionário. O segundo capitulo e mais longo capítulo aborda a “Formação Inicial”. Nesta parte o texto vai falar dos tempos, espaços como casas, seminários, capelas e institutos, onde o processo de formação acontece. O terceiro capítulo do texto trata da “Formação Continuada”, disse.

O texto, após ser debatido e aprovado pelo plenário da 56ª Assembleia Geral da CNBB, segue para apreciação e aprovação da Congregação do Clero do Vaticano. A previsão de publicação, como documento da CNBB, é no segundo semestre segundo dom Pedro.

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