Seminaristas de todo o Brasil foram acolhidos na 10ª edição do FORMISE Nacional e Nordeste em São Luís (MA). O tema “A alegria do Evangelho, anúncio, comunhão e missão”, e o lema “Ardia nossos corações quando Ele nos explicava as escrituras pelo caminho” (Lc 24, 32)está animando as reflexões do encontro de 1º a 5 de julho.

O encontro tem como objetivo intensificar a formação missionária dos seminaristas em vista de uma Igreja em saída na perspectiva da missão universal. Destina-se a seminaristas de teologia e filosofia, diocesanos e religiosos. A programação inclui exposição e debates do tema, grupos de estudo, plenário e testemunhos missionários de seminaristas.

O 10º Formise Nacional e Nordeste está em sintonia com a Igreja no Brasil e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (DGAE 2015-2019) onde coloca como primeira urgência: Igreja em estado permanente de missão.

Dom Esmeraldo Barreto, presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Internacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participa do encontro.

O encontro também, partindo das reflexões e propostas do 4º Congresso Missionário Nacional, coloca a necessidade de intensificar a formação missionária nas Casas de Formação, tendo em vista o aumento do ardor missionário que brota do batismo.

A formação é promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), a Organização dos Seminários e Institutos no Brasil (OSIB), o Regional Nordeste 5 e o Instituto de Estudos Superiores do Maranhão (IESMA).

Com informações de: www.vatican.news

Jovens de congregações religiosas, da Pastoral da Juventude no Meio Popular, de Movimentos e Novas Comunidades e também os de grupos paroquiais estarão reunidos neste mês de julho, cada expressão a partir de seu carisma, por meio do projeto de evangelização IDE proposto pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O Julho das Juventudes vai realizar quatro grandes encontros de diferentes expressões juvenis da Igreja no Brasil. Em Goiânia, de 9 a 13 de julho, haverá o Congresso Nacional da Pastoral da Juventude no Meio Popular. No Rio de Janeiro (RJ), o Encontro Nacional dos Movimentos e Novas Comunidades será de 11 a 15 de julho. E em São Paulo (SP), de 20 a 22 de julho, será o Encontro Nacional das Congregações que trabalham com jovens e o primeiro Encontro Nacional dos grupos jovens paroquiais.

“Baseados no magistério do papa Francisco, espera-se que a juventude, nesse ano do Laicato, seja sal da terra e luz do mundo. É a juventude em missão na Igreja e na Sociedade”, destaca o bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso.

Nessa perspectiva, a Comissão para a Juventude da CNBB, lançou o plano trienal da Pastoral da Juventude. O documento é baseado em cinco eixos: missão; formação; estruturas de acompanhamento, ecologia e políticas públicas e foi aprovado em setembro de 2017, durante o II Encontro Nacional de Revitalização da Pastoral Juvenil, em Brasília, com a participação de 300 representantes de todo ao Brasil.

De acordo com dom Vilsom, esse projeto mostra a riqueza e a diversidade da juventude católica no Brasil. “Estamos apresentando a Juventude do Brasil este projeto IDE e chamando a todos a assumirmos, de fato, a nossa missão na Igreja e na sociedade seguindo Jesus, apaixonados por Ele e querendo vida, vida para toda juventude”.

A realização dos eventos está relacionada à proposta evangelizadora do projeto IDE, que é o “rumo comum para todas essas expressões juvenis”, assim como o Rota 300, realizado entre 2015 e 2017. O objetivo é alcançar os milhares de grupos de jovens e diferentes expressões juvenis que ajudam a chegar de fato onde o jovem está.

Saiba mais sobre cada evento:

5º CONGRESSO DA PJMP
Será realizado de 9 a 13 de julho, na paróquia Nossa Senhora da Terra, em Goiânia (GO), e terá o objetivo de refletir sobre a caminhada pastoral e seus desafios, celebrar a fé e a vida dos jovens do meio popular e reunir todos (as) os que partilham desta mística e espiritualidade libertadoras de Jesus Cristo.

O tema escolhido é “Águas e Profecias: Luzes do Meio Popular Gerando Vidas” e o lema “Juventude e seu Protagonismo, Resistência e Liberdade”. As inscrições podem ser realizadas no site da PJMP, onde também há mais informações sobre o evento: http://www.pjmp.org/5congressopjmp

ENJMC – Encontro Nacional de Jovens de Movimentos e Novas Comunidades
O Encontro Nacional de Jovens de Movimentos e Novas Comunidades será realizado no Rio de Janeiro, de 11 a 15 de julho. O tema proposto é “Chamados e enviados para serem profetas das nações”, convidando a juventude para a constante experiência Missionária. As inscrições também vão até o dia 15 de junho.

Poderão participar de 10 a 15 líderes jovens por Movimentos e Novas Comunidades, entre 18 e 29 anos, além de um assessor adulto de cada expressão. Informações no site do evento. http://jovensconectados.org.br/enjmc/

ENC – Encontro Nacional de Jovens e Adultos de Congregações 
O evento reunirá lideranças juvenis de Congregações Religiosas e os adultos responsáveis, de todo o país e das mais diversas expressões eclesiais. De acordo com a equipe organizadora, vivenciando a unidade na diversidade, estes jovens são chamados a partilhar de suas experiências e a ouvirem o que a Igreja do Brasil tem a oferecer na Evangelização para a Juventude.

Será de 20 a 22 de julho, no Colégio Santa Terezinha, em São Paulo (SP). As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de junho. Informações no site do evento http://jovensconectados.org.br/enc/

Conecta – Encontro Nacional de Líderes de Grupos Jovens Paroquiais
Com o tema “Eis-me aqui Senhor”, o encontro reunirá jovens de diferentes paróquias do Brasil. Uma das propostas do evento é aprofundar o conhecimento do Projeto Ide, motivando as lideranças de grupos jovens de todo o país a contribuírem com ideias e ações que facilitem e promovam a aplicação do projeto nas muitas dioceses e paróquias do Brasil.

Será de 20 a 22 de julho de 2018, também no Colégio Santa Terezinha, em São Paulo (SP). São esperadas lideranças juvenis e os assessores adultos dos Grupos Jovens Paroquiais, pastoral dos Adolescentes e do Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC). Inscrições também até 15 de junho. Informações no site do evento. http://jovensconectados.org.br/conecta/

O Documento Preparatório do Sínodo para a Amazônia foi apresentado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), juntamente com a Comissão Episcopal para a Amazônia, instituições parceiras e pastorais para divulgar o material que já está disponível.

Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidiu a celebração de abertura do evento na sexta-feira, 8 de junho, no auditório da CNBB, em Brasília e em seguida falou da importância da realização do Sínodo para a Amazônia. Para ele, é vital que seja realizada essa Assembleia Sinodal, já que a realidade da Amazônia é de sofrimento. “Realidade sofrida significa os povos estão sofridos, e não apenas os indígenas, mas os ribeirinhos, os povos que vivem do extrativismo, grupos isolados que não têm contato com os brancos”, lembrou Dom Leonardo. “É muito importante a Igreja refletir essa realidade, e, por isso, o papa está chamando para Roma”, destacou o secretário-geral da CNBB.

Irmã Maria Irene Lopes, assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, secretária executiva da REPAM-Brasil. Crédito: Matheus Souza/CNBB

“Amazônia: novos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral” é o tema do Sínodo que será realizado em outubro do ano que vem, mas que, de acordo com Papa Francisco, em janeiro desse ano, na visita ao Peru, em Porto Maldonado, já iniciou. Irmã Maria Irene Lopes, assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, secretária executiva da REPAM-Brasil, Delegada da Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR) na Comissão Preparatória do Sínodo e única mulher da equipe, apresentou o Documento e os passos que serão realizados a partir de agora. “O material tem três fases, o ver, o discernir e o agir, e nos propõe a fazer isso a partir da Amazônia, das pessoas que estão lá”, frisou irmã Irene.

O objetivo do material é preparar as comunidades para o Sínodo e ouvi-las, para que essa grande assembleia repercuta, de fato, os clamores que saem das bases, o que é um desejo expresso do Papa Francisco. De acordo com a religiosa o material precisa chegar a todas as pessoas do território amazônico para contribuírem no processo. “O Documento será utilizado nas assembleias territoriais, realizaremos cerca de 40 ao longo dos próximos meses, e esse momento será de escuta das bases: os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, as pessoas das cidades, os jovens… esse documento vai para as mãos das pessoas que estão na Amazônia”, reforçou irmã Irene.

Após esse período de escuta, os questionários serão retomados pela equipe de assessores, sintetizados e transformados no Documento de Trabalho, que deverá ser encaminhado aos participantes do Sínodo.

Documento preparatório

O material foi construído por uma equipe de assessores e foi aprovado pelo Vaticano, em abril desse ano, quando houve a primeira reunião do Conselho Pré-Sinodal. O Documento Preparatório é composto por um texto-base, que oferece uma análise da conjuntura atual da Amazônia e aponta percursos e novos caminhos para a Igreja a serviço da vida nesse bioma.

Dos 13 expertos que auxiliaram na escrita do Documento Preparatório, 3 são brasileiros e membros da REPAM-Brasil. O texto está dividido em três partes, segundo o método verdiscernir agir. Ao final do material estão algumas questões que permitem um diálogo e uma progressiva aproximação da realidade para que as populações da Amazônia sejam ouvidas.

A primeira parte é o VER, um convite a olhar a identidade e os clamores da Pan-Amazônia. Território, diversidade sociocultural, identidade dos povos indígenas, memória histórica eclesial, justiça e direitos dos povos, espiritualidade e sabedoria, são os pontos apresentados nessa parte do texto. Segundo o documento preparatório, “em sua história missionária, a Amazônia tem sido lugar de testemunho concreto de estar na cruz, inclusive, muitas vezes, lugar de martírio. A Igreja também aprendeu que neste território, habitado por mais de 10 mil anos por uma grande diversidade de povos, suas culturas se construíram em harmonia com o meio ambiente”.

O DISCERNIR é a segunda parte do documento que ilumina as reflexões para uma conversão pastoral e ecológica. O anúncio do Evangelho de Jesus na Amazônia é apresentado a partir das dimensões bíblico-teológica, social, ecológica, sacramental e eclesial-missionária. “Hoje o grito da Amazônia ao Criador é semelhante ao grito do povo de Deus no Egito (cf. Ex 3,7). É um grito de escravidão e abandono, que clama pela liberdade e o cuidado de Deus. É um grito que anseia pela presença de Deus, especialmente quando os povos amazônicos, por defender suas terras, são criminalizados por parte das autoridades; ou quando são testemunhas da destruição do bosque tropical, que constitui seu habitat milenar; ou, ainda, quando as águas de seus rios se enchem de espécies mortas no lugar de estarem plenas de vida”, afirma o texto de preparação.

Por fim, o documento, na última parte, provoca a ação, a AGIR: novos caminhos para uma Igreja com rosto amazônico. O texto reflete o que seria esse rosto, a dimensão profética, os ministérios e os novos caminhos. “No processo de pensar uma Igreja com rosto amazônico, sonhamos com os pés fincados na terra de nossos ancestrais e com os olhos abertos pensamos como será essa Igreja a partir da vivência da diversidade cultural dos povos. Os novos caminhos terão uma incidência nos ministérios, na liturgia e na teologia (teologia indígena)”, destaca o texto.

Após as reflexões realizadas pelo documento, uma série de questões são apresentadas para contribuir com a escuta das realidades da Pan-Amazônia. O questionário está dividido, metodologicamente, de acordo com as partes do documento para facilitar os trabalhos que serão realizados pelas comunidades e grupos que responderão as perguntas.

O documento preparatório termina com as palavras de Francisco em Porto Maldonado, no momento em que abre, oficialmente, o Sínodo especial para a Amazônia: “Ajudai os vossos Bispos, ajudai os vossos missionários e as vossas missionárias a fazerem-se um só convosco e assim, dialogando com todos, podeis plasmar uma Igreja com rosto amazônico e uma Igreja com rosto indígena. Com esse espírito, convoquei um Sínodo para a Amazônia no ano de 2019”.

Sínodo para a Amazônia

O Sínodo para Amazônia foi uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia. De acordo com Francisco, “ o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

Assessoria de Comunicação da Repam

Tema: A vida é feita de encontros
Lema: Braços abertos sem medo para acolher!
Iluminação Bíblica: “Não oprima o imigrante: vocês conhecem a vida do imigrante, porque vocês foram imigrantes no Egito” (Ex. 23,9).
 
Aprensentação
 
O Papa Francisco, ao lançar a campanha “Compartilhe a Viagem”, nos convoca para caminhar com os migrantes, propondo como a Igreja deve responder aos desafios atuais e urgentes quanto à acolhida de refugiados (as) e migrantes nos dias de hoje. Partindo dessa compreensão, abraçamos a reflexão que migração não é um fenômeno recente e, sim, parte da história da humanidade. Porém, as causas mais constantes desses movimentos, na atualidade, perpassam questões econômicas e/ou políticas, desastres naturais ou provocados, situações de guerra ou ainda motivados pela constante e generalizada violação de direitos humanos.
 
É fato que os períodos históricos as pessoas mudam, mas o movimento de um lugar para outro caracteriza que a migração continua sendo um fenômeno complexo e com motivações diversas, onde os sujeitos são forçados ou atraidos, inclusive em grandes contingentes a buscarem melhorias nas condições de vida, alcançando ciclos migratórios nacionais e/ou internacionais, nem sempre conseguindo êxito nesse intuito.
 
A Campanha “Compartilhe a Viagem” propõe incentivar as pessoas, homens, mulheres, crianças e jovens, de todos os credos e religiões, para irem ao encontro dos migrantes, colaborando na construção de uma cultura de Paz, a partir das histórias de vida e da diversidade cultural dos migrantes. Por isso, é importante enxergar os migrantes como oportunidade nesse projeto de reconstrução das sociedades. Vale observar que a referida Campanha veio em um momento histórico para a Igreja e a sociedade, onde o refugiado e os migrantes em geral, têm sofrido, tanto nas regiões de origem, como nas de destino, as diversas formas de exploração e discriminação existentes nos espaços em que o capital domina e exclui cada vez mais as pessoas e suas potencialidades. Lembremos que, nesse sentido, o Papa Francisco enfatizou que as nações do mundo têm o dever de acolher os migrantes de braços abertos, a todos e todas. “Irmãos, não tenham medo de partilhar a jornada. Não tenham medo de partilhar a esperança”.
 
Para a Igreja, é muito importante reforçar os direitos dos migrantes, refugiados e das diversas categorias migratórias e esse dever-desafio encontra sentido quando denunciamos, por exemplo, o trabalho escravo e o tráfico de pessoas, uma vez que, não podemos, em hipótese alguma, permitir tais violações. Sabemos-que os países que ratificam as Convenções internacionais e constroem uma legislação nacional para Migrantes e Refugiados assumem a responsabilidade de oferecer proteçâo e assistência apropriadas. No entanto, quando se instalam em outros países, nem sempre os migrantes são bem recebidos. Atualmente, inclusive, há um comportamento que estimula a sociedade a rejeitar as pessoas nestas condições, sem sequer perceberem que, na maioria das vezes, quase todos e todas fomos ou somos migrantes.
 
Em sintonia com o espírito da 33ª Semana do Migrante, como nos lembra Pe. Alfredo Gonçalves, em seu texto “A sede e a Água Viva”, reflitamos: “O segredo da vida cotidiana é que a água viva não jorra de grandes feitos,’de atos heróicos, de decisões bombásticas. A água da chuva, dos rios e dos oceanos é feita de pequenas gotas. O mesmo ocorre com a água viva que brota do Evangelho. Um olhar, um sorriso, uma palavra, um toque, uma visita, um “bom dia”, um ouvido atento, um coração aberto, a mão estendida num gesto de solidariedade – eis as gotas que formam o oceano”.
 
Neste sentido é que apresentamos a 33a Semana do Migrante, neste ano celebrada de 17 a 24 de junho de 2018,coordenada, pela primeira vez, dentro do conjunto de pastorais e organismos da CNBB e outras instituições que trabalham a causa migratória e que, unidas, colocam e proclamam seu tema: A VIDA É FEITA DE ENCONTROS e seu lema: BRAÇOS ABERTOS SEM MEDO PARA ACOLHER!
 
Dom José Luiz F. Salles – Presidente dó SPM e
Bispo da Diocese de Pesqueira-PE
Dom João José Costa – Presidente da Caritas Brasileira e
Arcebispo da Arquidiocese de Aracaju- SE
Ver fotos da Missa de Abertura da 33a Semana dos Migrantes na Comunidade São Pedro e São Paulo.

“Acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”

 Queridos irmãos e irmãs!

«O estrangeiro que reside convosco será tratado como um dos vossos compatriotas e amá-lo-ás como a ti mesmo, porque foste estrangeiro na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus» (Lv 19, 34).

Repetidas vezes, durante estes meus primeiros anos de pontificado, expressei especial preocupação pela triste situação de tantos migrantes e refugiados que fogem das guerras, das perseguições, dos desastres naturais e da pobreza. Trata-se, sem dúvida, dum «sinal dos tempos» que, desde a minha visita a Lampedusa em 8 de julho de 2013, tenho procurado ler sob a luz do Espírito Santo. Quando instituí o novo Dicasterio para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, quis que houvesse nele uma Secção especial (colocada temporariamente sob a minha guia direta) que expressasse a solicitude da Igreja para com os migrantes, os desalojados, os refugiados e as vítimas de tráfico humano.

Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor.[1] Esta solicitude deve expressar-se, de maneira concreta, nas várias etapas da experiência migratória: desde a partida e a travessia até à chegada e ao regresso. Trata-se de uma grande responsabilidade que a Igreja deseja partilhar com todos os crentes e os homens e mulheres de boa vontade, que são chamados a dar resposta aos numerosos desafios colocados pelas migrações contemporâneas com generosidade, prontidão, sabedoria e clarividência, cada qual segundo as suas possibilidades.

A este respeito, desejo reafirmar que «a nossa resposta comum poderia articular-se à volta de quatro verbos fundados sobre os princípios da doutrina da Igreja: acolher, proteger, promover e integrar».[2]

Considerando o cenário atual, acolher significa, antes de tudo, oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino. Neste sentido, é desejável um empenho concreto para se incrementar e simplificar a concessão de vistos humanitários e para a reunificação familiar. Ao mesmo tempo, espero que um número maior de países adote programas de patrocínio privado e comunitário e abra corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis. Além disso seria conveniente prever vistos temporários especiais para as pessoas que, escapando dos conflitos, se refugiam nos países vizinhos. As expulsões coletivas e arbitrárias de migrantes e refugiados não constituem uma solução idónea, sobretudo quando são feitas para países que não podem garantir o respeito da dignidade e dos direitos fundamentais.[3] Volto a sublinhar a importância de oferecer a migrantes e refugiados um primeiro alojamento adequado e decente. «Os programas de acolhimento difundido, já iniciados em várias partes, parecem facilitar o encontro pessoal, permitir uma melhor qualidade dos serviços e oferecer maiores garantias de bom êxito».[4] O princípio da centralidade da pessoa humana, sustentado com firmeza pelo meu amado predecessor Bento XVI,[5]obriga-nos a antepor sempre a segurança pessoal à nacional. Em consequência, é necessário formar adequadamente o pessoal responsável pelos controlos de fronteira. A condição de migrantes, requerentes de asilo e refugiados exige que lhes sejam garantidos a segurança pessoal e o acesso aos serviços básicos. Em nome da dignidade fundamental de cada pessoa, esforcemo-nos por preferir outras alternativas à detenção para quantos entrem no território nacional sem estar autorizados. [6]

O segundo verbo, proteger, conjuga-se numa ampla série de ações em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, independentemente da sua situação migratória.[7] Esta proteção começa na própria pátria, consistindo na oferta de informações certas e verificadas antes da partida e na sua salvaguarda das práticas de recrutamento ilegal.[8] Tal proteção deveria continuar, na medida do possível, na terra de imigração, assegurando aos migrantes uma assistência consular adequada, o direito de manter sempre consigo os documentos de identidade pessoal, um acesso equitativo à justiça, a possibilidade de abrir contas bancárias pessoais e a garantia duma subsistência vital mínima. Se as capacidades e competências dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados forem devidamente reconhecidas e valorizadas, constituem verdadeiramente uma mais-valia para as comunidades que os recebem.[9] Por isso, espero que, no respeito da sua dignidade, lhes seja concedida a liberdade de movimento no país de acolhimento, a possibilidade de trabalhar e o acesso aos meios de telecomunicação. Para as pessoas que decidam regressar ao seu país, sublinho a conveniência de desenvolver programas de reintegração laboral e social. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança oferece uma base jurídica universal para a proteção dos menores migrantes. É necessário evitar-lhes qualquer forma de detenção por motivo da sua situação migratória, ao mesmo tempo que lhes deve ser assegurado o acesso regular à instrução primária e secundária. Da mesma forma, é preciso garantir-lhes a permanência regular ao chegarem à maioridade e a possibilidade de continuarem os seus estudos. Para os menores não acompanhados ou separados da sua família, é importante prever programas de custódia temporária ou acolhimento.[10] No respeito pelo direito universal a uma nacionalidade, esta deve ser reconhecida e devidamente certificada a todos os meninos e meninas no momento do seu nascimento. A situação de apátrida, em que às vezes acabam por se encontrar migrantes e refugiados, pode ser facilmente evitada através duma «legislação sobre a cidadania que esteja em conformidade com os princípios fundamentais do direito internacional».[11] A situação migratória não deveria limitar o acesso aos sistemas de assistência sanitária nacional e de previdência social, nem à transferência das respetivas contribuições em caso de repatriamento.

Promover significa, essencialmente, empenhar-se por que todos os migrantes e refugiados, bem como as comunidades que os acolhem, tenham condições para se realizar como pessoas em todas as dimensões que compõem a humanidade querida pelo Criador.[12] Dentre tais dimensões, seja reconhecido o justo valor à dimensão religiosa, garantindo a todos os estrangeiros presentes no território a liberdade de profissão e prática da religião. Muitos migrantes e refugiados possuem competências que devem ser devidamente certificadas e avaliadas. Visto «o trabalho humano, pela sua natureza, estar destinado a unir os povos»,[13] encorajo a que se faça tudo o possível para se promover a integração socio-laboral dos migrantes e refugiados, garantindo a todos – incluindo os requerentes de asilo – a possibilidade de trabalhar, percursos de formação linguística e de cidadania ativa e uma informação adequada nas suas línguas originais. No caso de menores migrantes, o seu envolvimento em atividades laborais precisa de ser regulamentado de modo a que se evitem abusos e ameaças ao seu crescimento normal. Em 2006, Bento XVI sublinhava como a família, no contexto migratório, é «lugar e recurso da cultura da vida e fator de integração de valores».[14] A sua integridade deve ser sempre promovida, favorecendo a reunificação familiar – incluindo avós, irmãos e netos – sem nunca o fazer depender de requisitos económicos. No caso de migrantes, requerentes de asilo e refugiados portadores de deficiência, deve ser assegurada maior atenção e apoio. Embora considerando dignos de louvor os esforços feitos até agora por muitos países em termos de cooperação internacional e assistência humanitária, espero que, na distribuição das respetivas ajudas, se considerem as necessidades (como, por exemplo, de assistência médica e social e de educação) dos países em vias de desenvolvimento que acolhem fluxos enormes de refugiados e migrantes e de igual modo se incluam, entre os beneficiários, as comunidades locais em situação de privação material e vulnerabilidade.[15]

O último verbo, integrar, situa-se no plano das oportunidades de enriquecimento intercultural geradas pela presença de migrantes e refugiados. A integração não é «uma assimilação, que leva a suprimir ou a esquecer a própria identidade cultural. O contato com o outro leva sobretudo a descobrir o seu “segredo”, a abrir-se para ele, a fim de acolher os seus aspetos válidos e contribuir assim para um maior conhecimento de cada um. Trata-se de um processo prolongado que tem em vista formar sociedades e culturas, tornando-as cada vez mais um reflexo das dádivas multiformes de Deus aos homens».[16] Este processo pode ser acelerado pela oferta de cidadania, independentemente de requisitos económicos e linguísticos, e por percursos de regularização extraordinária para migrantes que possuam uma longa permanência no país. Insisto mais uma vez na necessidade de favorecer em todos os sentidos a cultura do encontro, multiplicando as oportunidades de intercâmbio cultural, documentando e difundindo as «boas práticas» de integração e desenvolvendo programas tendentes a preparar as comunidades locais para os processos de integração. Tenho a peito sublinhar o caso especial dos estrangeiros forçados a deixar o país de imigração por causa de crises humanitárias. Estas pessoas necessitam que lhes seja assegurada uma assistência adequada para o repatriamento e programas de reintegração laboral na sua pátria.

De acordo com a sua tradição pastoral, a Igreja está disponível para se comprometer, em primeira pessoa, na realização de todas as iniciativas propostas acima, mas, para se obter os resultados esperados, é indispensável a contribuição da comunidade política e da sociedade civil, cada qual segundo as próprias responsabilidades.

Durante a Cimeira das Nações Unidas, realizada em Nova Iorque em 19 de setembro de 2016, os líderes mundiais expressaram claramente a vontade de se empenhar a favor dos migrantes e refugiados para salvar as suas vidas e proteger os seus direitos, compartilhando tal responsabilidade a nível global. Com este objetivo, os Estados comprometeram-se a redigir e aprovar até ao final de 2018 dois acordos globais (Global Compacts), um dedicado aos refugiados e outro referente aos migrantes.

Queridos irmãos e irmãs, à luz destes processos já iniciados, os próximos meses constituem uma oportunidade privilegiada para apresentar e apoiar as ações concretas nas quais quis conjugar os quatro verbos. Por isso, convido-vos a aproveitar as várias ocasiões possíveis para partilhar esta mensagem com todos os atores políticos e sociais envolvidos – ou interessados em participar – no processo que levará à aprovação dos dois acordos globais.

Neste dia 15 de agosto, celebramos a solenidade da Assunção de Maria Santíssima ao Céu. A Mãe de Deus experimentou pessoalmente a dureza do exílio (cf. Mt 2, 13-15), acompanhou amorosamente o caminho do Filho até ao Calvário e agora partilha eternamente da sua glória. À sua materna intercessão confiamos as esperanças de todos os migrantes e refugiados do mundo e as aspirações das comunidades que os acolhem, para que todos, no cumprimento do supremo mandamento divino, aprendamos a amar o outro, o estrangeiro, como a nós mesmos.

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