Jornalista Joyce Ribeiro mediará o debate promovido pela CNBB

A mediação do Debate de Aparecida, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), será por conta da jornalista Joyce Ribeiro. Escolhida pela TV Aparecida, responsável por organizar o evento com a participação dos candidatos à Presidência da República, a profissional conta que havia estabelecido como meta para este ano participar de forma mais ativa do debate político no Brasil.

“Eu fiquei muito feliz com o convite para mediar o debate. Essa era uma oportunidade que eu buscava para este ano, que é um ano muito importante para o Brasil, para os brasileiros, num momento que a gente precisa tomar decisões que vão pontuar e direcionar nossa caminhada daqui para frente em todos os aspectos”, afirma Joyce.

Segundo a jornalista – que já atuou em emissoras como Record e SBT e hoje é âncora no Jornal da Cultura, da TV Cultura – ao acompanhar o cenário político, percebeu a vontade de participar mais efetivamente da discussão, o que a motivou para aceitar o convite da TV Aparecida: “Estou realizando uma vontade grande minha para este ano de 2018 e tenho certeza que vai ser uma oportunidade incrível para todos nós brasileiros que estamos nesse momento de colher o máximo de informação sobre aqueles que se dizem aptos a nos ajudar a trilhar os caminhos do Brasil”.

Sobre a preparação, Joyce Ribeiro ressalta o trabalho de pesquisa sobre as questões políticas e afirma que está dentro de seus estudos diários para a cobertura da editoria política. “Acaba ficando muito dentro da minha rotina dos últimos meses e desse último ano de forma mais intensa, mais profunda, porque a cobertura do noticiário político é um estudo constante, uma pesquisa constante, um ir atrás de informações diariamente, sistematicamente”, relata.

“O que fiz com mais intensidade foi observar mais no detalhe a movimentação de cada segmento político, de cada partido e de cada candidato. Tenho o trabalho de reunir todas essas informações e de estar mais em cima do passo a passo e das movimentações de todos os grupos”, conta.

O Debate de Aparecida 
Promovido pela CNBB, o evento contará com a transmissão das emissoras de TV e rádio de inspiração católica, além de portais na internet. Quanto ao formato, terá perguntas apresentadas aos políticos por sorteio, outras feitas por bispos da CNBB e jornalistas previamente inscritos. Também estão previstas perguntas entre os próprios candidatos. Réplicas e tréplicas serão permitidas em alguns momentos. A previsão de duração é de duas horas, divididas em cinco blocos.

No primeiro, a mediadora fará a abertura, discorrendo sobre as emissoras que estão transmitindo. Em seguida, vai citar os nomes dos candidatos que estão presentes e os que não compareceram ao encontro. Na sequência, o GC (Gerador de Caracteres) cita os nomes dos outros candidatos sem representação na Câmara dos Deputados e que não participarão do debate. A primeira pergunta – destinada a todos os candidatos, que terão 2 minutos – será feita por um (arce)bispo designado pela presidência da CNBB.

No segundo bloco, será aberta a possibilidade de confronto direto entre os candidatos, com tema livre. O mediador vai sortear o candidato que irá perguntar e o outro que responderá. A pergunta deverá ser feita em até 30 segundos, com resposta em 2 minutos, réplica em 1 minuto e meio e tréplica em 1 minuto.

No terceiro bloco, as perguntas serão feitas por jornalistas das emissoras filiadas à Signis Brasil. Os temas serão definidos previamente e as perguntas pré-definidas pela organização do debate. Será feito um sorteio na hora para definir qual candidato irá responder, no tempo máximo de dois minutos.

No quarto bloco, será aberta a possibilidade de confronto direto entre os candidatos, com tema livre. O mediador fará o sorteio do candidato que irá perguntar e de outro para responder. A pergunta deverá ser feita em até 30 segundos, com resposta em dois minutos, réplica em 1 minuto 30 segundos e tréplica em 1 minuto.

No quinto e último bloco as perguntas, com tema livre, serão feitas por bispos indicados pela CNBB, sendo um bispo para cada candidato. O mediador vai sortear na hora o candidato que irá responder. A pergunta será feita em até 30 segundos e as respostas em 2 minutos. Neste bloco também serão feitas as considerações finais de cada candidato, sendo que cada um terá 1 minuto.

Credenciamento de Imprensa 
Os jornalistas que desejarem fazer a cobertura do debate deverão proceder com o credenciamento junto ao Santuário Nacional de Aparecida.

Foto de capa: Juan Ribeiro/Divulgação TV Aparecida

(ERPN) – 2018.

Tema: “A Saúde Psíquica do Presbítero”

Aos  vinte e oito dias do mês de agosto do ano de dois mil e dezoito, às 07:30 horas, nas residências do Centro de Treinamento São José, em Guajará-Mirim/RO iniciou-se o 17º Encontro Regional de Presbítero do Noroeste – ERPN – 2018, com o tema: Tema: “A Saúde Psíquica do Presbítero”.

Estão presentes padres representantes das mais variadas paróquias, dioceses do Regional Noroeste: Rondônia, Acre e Sul do Amazonas;

O encontro está sendo assessorado pelo Padre Rosimar José de Lima Dias (Doutor e Pós doutorado em Psicologia Clínica), do clero da Arquidiocese de Cuiabá.

Pe. Rosimar José de Lima Dias

Igreja na Amazônia: “O Espírito que conduz a Igreja nos animará e sustentará em nossa caminhada”

O III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal aconteceu na última semana, de 21 a 23 de agosto, em Manaus (AM), na perspectiva de preparação para o Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro de 2019. Estiveram reunidos bispos de toda a Amazônia brasileira, 58 no total, religiosos e leigos. Ao final do encontro, foi divulgada uma carta, que é assinada pelo presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Cláudio Hummes, que também preside a Rede Eclesial Pan-Amazônica.

Bispos dos regionais Norte 1, 2 e 3, Noroeste, Nordeste 5 e Oeste 2 da CNBB estiveram presentes | Foto: Repam Brasil

As intenções do papa Francisco ao propor a reflexão sobre “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, as atividades durante o evento e as constatações dos participantes são apresentadas no texto.

“Ao longo desses dias, rezando, estudando, ouvindo especialistas com suas análises, o que ampliou nossa visão do conhecimento de toda complexa realidade amazônica, expusemos também nossas preocupações com todas essas situações e experiências dolorosas da vida de nossos povos, como o que está acontecendo com os migrantes venezuelanos em Roraima, no município de Pacaraima, e o que estamos realizando em nossas Igrejas particulares por meio de nossas ações evangelizadoras e pastorais”, escrevem os participantes.

Diante dos desafios, que “são imensos”, da região, sonha-se com uma “Igreja de rosto amazônico”, já com resultados alcançados desde o primeiro encontro dos bispos da Amazônia, em 1972, na cidade de Santarém.

“Seguimos os rumos traçados pelo processo sinodal na firme esperança de que o Espírito que conduz a Igreja nos animará e sustentará em nossa caminhada nesta Amazônia, pois sentimos a necessidade de estabelecer uma unidade em torno dos mais diversos desafios que a Amazônia apresenta, fortalecerá o imenso esforço, às vezes desconexo da evangelização, dos movimentos e das práticas pastorais para tornar eficaz essa rede de solidariedade e comunhão”.

Após o encontro, oportunidade para criação de metas em conjunto e aprofundamento de questões relacionadas ao Sínodo para a Amazônia, as Igrejas particulares presentes no território amazônico continuarão com as atividades em vista da Assembleia Sinodal, por meio do levantamento e mapeamento das realidades eclesiais e ambientais, da realização das Assembleias Territoriais, das Rodas de Conversas, das Assembleias Diocesanas e Regionais.

Leia a carta do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal:

III ENCONTRO DA IGREJA CATÓLICA NA AMAZÔNIA LEGAL
Manaus, 21 a 23 de agosto de 2018

AMAZÔNIA: NOVOS CAMINHOS PARA A IGREJA E PARA UMA ECOLOGIA INTEGRAL

“A glória de Deus é o ser humano vivo e a vida do ser humano é a visão de Deus;
se já a manifestação de Deus pela criação dá vida a todos os seres que vivem sobre a terra quanto mais a revelação do Pai pelo Verbo dá a vida aos que veem Deus!”
(Santo Irineu de Lião, Contra as heresias, IV, 20,7)

A Igreja Católica presente na Amazônia, em nove países, está em processo de preparação do Sínodo Especial para a Amazônia, a ser realizado em outubro de 2019. Nestes dias, de 21 a 23 de agosto, realizou-se, em Manaus, o III Encontro desse processo de reflexão. Desta vez, estiveram reunidos bispos, religiosos e leigos de toda a Amazônia Legal.

O papa Francisco nos pede que sejamos uma Igreja próxima, solidária, defensora da dignidade humana, profética, capaz de discernir o que nos pede o Espírito Santo, de denunciar as injustiças e alimentar a Esperança para os povos da Amazônia!

A finalidade do Sínodo é encontrar novos caminhos para a evangelização do povo de Deus, sobretudo, dos povos indígenas que sofrem grandes ameaças. O desejo do papa Francisco é uma Igreja impulsionada pela missionariedade, aberta, em saída, em estado permanente de missão. O tema da ecologia está inserido no contexto da Igreja aberta e misericordiosa. A misericórdia nos leva à experiência do cuidado. A evangelização tem uma dimensão ecológica. 

Ao longo desses dias, rezando, estudando, ouvindo especialistas com suas análises, o que ampliou nossa visão do conhecimento de toda complexa realidade amazônica, expusemos também nossas preocupações com todas essas situações e experiências dolorosas da vida de nossos povos, como o que está acontecendo com os migrantes venezuelanos em Roraima, no município de Pacaraima, e o que estamos realizando em nossas Igrejas particulares por meio de nossas ações evangelizadoras e pastorais.

Constatamos com alegria e esperança que a Igreja Católica na Amazônia está solidária com seus povos e dando passos decisivos para a concretização do Sínodo, por meio do levantamento e mapeamento de nossas realidades eclesiais e ambientais, da realização das Assembleias Territoriais, das Rodas de Conversas, das Assembleias Diocesanas e Regionais.

Percebemos, porém, que ainda há muito para fazer. Os desafios são imensos. Todos os dias nos chegam notícias desalentadoras que afetam a vida e a existência de nossos povos, como a continuação dos grandes projetos: a construção das hidrelétricas, o avanço do agronegócio, a exploração das mineradoras e o incontrolável desmatamento. Enfim, ameaças constantes à grande floresta, às nossas águas e à sobrevivência dos habitantes da região, sobretudo os povos tradicionais e aqueles que sobrevivem da pesca, do extrativismo, da agricultura familiar, como por extensão, os habitantes das cidades que, nestes últimos anos, cresceram consideravelmente na região, com todas as sequelas de degradação da condição humana, espelhada de modo especial na violência que cresce cada dia, na proliferação do narcotráfico e do tráfico de pessoas, ceifando a vida de uma quantidade enorme de pessoas, especialmente dos jovens.

Não obstante esses desafios, sonhamos com uma Igreja de rosto amazônico. Esta Igreja já existe nas comunidades que se formaram e se fortaleceram a partir do encontro dos Bispos da Amazônia, em 1972, na cidade de Santarém. As organizações indígenas com as quais a Igreja católica colaborou e colabora, o compromisso com a luta pela terra, por saúde e educação diferenciadas marcam a pastoral indigenista. O envolvimento em projetos de desenvolvimento sustentável, a partir da fé, e a luta por melhores condições de vida nas grandes periferias urbanas marcam a nossa Igreja.

No nosso coração de pastores, estará o atendimento e o acompanhamento pastoral das comunidades que têm direito de serem alimentadas pelo pão da Eucaristia, da Palavra e pelos sacramentos. Crescemos muito nos ministérios leigos, nos quais destacamos a participação efetiva das mulheres, formamos catequistas, dirigentes de celebração, animadores de comunidades, ministros e ministras da Palavra, das exéquias e da sagrada comunhão; formamos e ordenamos um bom número de padres diocesanos e diáconos permanentes; nos últimos tempos, já temos um clero local que, se não é numeroso, tem identidade própria. Mas as necessidades ainda são grandes e as nossas características regionais exigem soluções diferenciadas.

Seguimos os rumos traçados pelo processo sinodal na firme esperança de que o Espírito que conduz a Igreja nos animará e sustentará em nossa caminhada nesta Amazônia, pois sentimos a necessidade de estabelecer uma unidade em torno dos mais diversos desafios que a Amazônia apresenta, fortalecerá o imenso esforço, às vezes desconexo da evangelização, dos movimentos e das práticas pastorais para tornar eficaz essa rede de solidariedade e comunhão.

Não podemos perder de vista que a Igreja na Amazônia está inserida num contexto eclesiológico mais amplo que é a Igreja no continente americano e caribenho. Por isso, ao concluir esta carta, não poderíamos deixar de destacar que a vivência eclesial em nossa região encontra-se em plena consonância com todo o debate em torno do tema do Sínodo e em profunda comunhão com o magistério do Papa Francisco.

Que Maria de Nazaré, expressão da face materna de Deus no meio de nosso povo, por sua intercessão, acompanhe os passos da Igreja de seu Filho nas águas e terras amazônicas para que ela seja sinal e presença do Reino de Deus e que ajude, com sua tarefa evangelizadora, a humanizar e a dignificar cada vez mais a realidade da vida em nossa região. 

Manaus, 23 de agosto de 2018
Dia de Santa Rosa de Lima, Padroeira da América Latina

Bispos católicos da Amazônia Legal e demais representantes participantes no III Encontro

Cardeal Dom Cláudio Hummes,
Presidente da Comissão Episcopal para Amazônia da CNBB,
Presidente da REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica

Festa das Famílias em Dublin, Irlanda
“A Igreja é a família dos filhos de Deus; uma família, onde se regozija com aqueles que estão na alegria e se chora com aqueles que estão na tribulação ou se sentem desanimados com a vida”, foi uma das passagens do discurso do Santo Padre aos presentes no Croke Park Stadium, em Dublin.

A noite de sábado, 25 de agosto, foi dedicada à Festa nas Famílias no Croke Park Stadium, em Dublin.

Francisco chegou de papamóvel, sendo ovacionado pela multidão presente no estádio. Após as palavras de boas-vindas do cardeal Kevin Jospeh Farrel, foram executados números de dança ao som de músicas típicas irlandesas e cânticos, que foram intercalados com testemunhos. Então, o Santo Padre proferiu o seu discurso (não estão incluídas no texto as palavras ditas de forma espontânea):

“Queridos irmãos e irmãs, boa noite!

Obrigado pelas vossas calorosas boas-vindas. É bom estar aqui! É bom celebrar, porque nos torna mais humanos e mais cristãos. Também nos ajuda a partilhar a alegria de saber que Jesus nos ama, acompanha no percurso da vida e, cada dia, nos atrai para mais perto de Si.

Em cada celebração familiar, sente-se a presença de todos: pais, mães, avós, netos, tios e tias, primos, quem não pôde vir e quem vive demasiado longe. Hoje, em Dublin, reunimo-nos para uma celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos: uma única família em Cristo, espalhada por toda a terra. A Igreja é a família dos filhos de Deus; uma família, onde se regozija com aqueles que estão na alegria e se chora com aqueles que estão na tribulação ou se sentem desanimados com a vida. Uma família onde se cuida de cada um, porque Deus nosso Pai nos fez, a todos, seus filhos no Batismo. Por isso mesmo, continuo a encorajar os pais a levar ao Batismo os filhos logo que possível, para que se tornem parte da grande família de Deus. É preciso convidar cada um para a festa!

Vós, queridas famílias, sois a grande maioria do povo de Deus. Que fisionomia teria a Igreja sem vós? Foi para nos ajudar a reconhecer a beleza e a importância da família, com as suas luzes e sombras, que escrevi a Exortação Amoris laetitia sobre a alegria do amor, e quis que o tema deste Encontro Mundial das Famílias fosse «O Evangelho da família, alegria para o mundo». Deus quer que cada família seja um farol que irradia a alegria do seu amor pelo mundo. Que significa isto? Significa que nós, depois de ter encontrado o amor de Deus que salva, procuramos, com palavras ou sem elas, manifestá-lo através de pequenos gestos de bondade na vida rotineira de cada dia e nos momentos mais simples da jornada.

Isto quer dizer santidade. Gosto de falar dos santos «ao pé da porta», de todas aquelas pessoas comuns que refletem a presença de Deus na vida e na história do mundo (cf. Exort. ap. Gaudete et exsultate, 6-7). A vocação ao amor e à santidade não é algo reservado para poucos privilegiados. Mesmo agora, se tivermos olhos para ver, podemos vislumbrá-la ao nosso redor. Está silenciosamente presente no coração de todas as famílias que oferecem amor, perdão e misericórdia, quando veem que há necessidade, e fazem-no tranquilamente, sem tocar a tromba. O Evangelho da família é, verdadeiramente, alegria para o mundo, visto que lá, nas nossas famílias, sempre se pode encontrar Jesus; lá habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de Nazaré.

O matrimônio cristão e a vida familiar são compreendidos em toda a sua beleza e fascínio, se estiverem ancorados no amor de Deus, que nos criou à sua imagem para podermos dar-Lhe glória como ícones do seu amor e da sua santidade no mundo. Pais e mães, avôs e avós, filhos e netos são todos chamados a encontrar, na família, a realização do amor. A graça de Deus ajuda dia a dia a viver com um só coração e uma só alma. Mesmo as sogras e as noras! Ninguém diz que seja fácil… É como preparar um chá: é fácil ferver a água, mas uma boa taça de chá requer tempo e paciência; é preciso deixar em infusão! Então, dia após dia, Jesus aquece-nos com o seu amor, fazendo de modo que penetre todo o nosso ser. Do tesouro do seu Sagrado Coração, derrama sobre nós a graça que precisamos para curar as nossas enfermidades e abrir a mente e o coração para nos escutarmos, compreendermos e perdoarmos uns aos outros.

Acabamos de ouvir os testemunhos de Felicité, Isaac e Ghislain, que vêm do Burkina Faso. Contaram-nos uma história comovente de perdão em família. O poeta dizia que «errar é humano, perdoar é divino». É verdade! O perdão é um dom especial de Deus, que cura as nossas feridas e nos aproxima dos outros e d’Ele. Gestos humildes e simples de perdão, renovados dia a dia, são o fundamento sobre o qual se constrói uma vida familiar cristã sólida. Obrigam-nos a superar o orgulho, o isolamento e o embaraço, e a fazer paz. É verdade! Gosto de dizer que, nas famílias, precisamos de aprender três palavras: «desculpa», «por favor» e «obrigado». Quando tiveres discutido em casa, certifica-te, antes de ir dormir, que pediste desculpa dizendo que sentes pesar pelo sucedido. Mesmo se te sentires tentado a ir dormir noutro quarto, sozinho e isolado, bate simplesmente à porta e diz: «Por favor, posso entrar?» Basta um olhar, um beijo, uma palavra doce… e tudo volta a estar como antes! Digo isto porque as famílias, quando o fazem, sobrevivem. Não existe uma família perfeita; sem o hábito do perdão, a família cresce doente e gradualmente desmorona-se.

Perdoar significa doar algo de si mesmo. Jesus perdoa-nos sempre. Com a força do seu perdão, também nós podemos perdoar aos outros, se o quisermos de verdade. Não é isso que pedimos, quando rezamos o Pai Nosso? Os filhos aprendem a perdoar quando veem que seus pais se perdoam entre si. Se compreendermos isto, poderemos apreciar a grandeza da doutrina de Jesus sobre a fidelidade no matrimónio. Longe de ser uma fria obrigação legal, trata-se sobretudo duma promessa poderosa da fidelidade do próprio Deus à sua palavra e à sua graça sem limites. Cristo morreu por nós para que, por nossa vez, possamos perdoar-nos e reconciliar-nos uns com os outros. Deste modo, como pessoas e como famílias, aprendemos a compreender a verdade daquelas palavras de São Paulo: tudo passa, mas «o amor jamais passará» (1 Cor 13, 8).

Obrigado, Nisha e Ted, pelos vossos testemunhos da Índia, onde estais a ensinar aos vossos filhos a serem uma verdadeira família. Ajudastes-nos também a compreender que os meios de comunicação social não são necessariamente um problema para as famílias, mas podem contribuir para a construção duma «rede» de amizade, solidariedade e apoio mútuo. As famílias podem conectar-se através da internet e beneficiar disso. Os meios de comunicação social podem ser benéficos, se forem usados com moderação e prudência. Vós, por exemplo, que participais neste Encontro Mundial das Famílias, formais uma «rede» espiritual e de amizade, e os meios de comunicação social podem ajudar-vos a manter esta ligação e alargá-la a outras famílias em muitas partes do mundo. Contudo, importante que estes meios nunca se tornem uma ameaça para a verdadeira rede de relações de carne e sangue, prendendo-nos numa realidade virtual e isolando-nos das relações autênticas que nos estimulam a dar o melhor de nós mesmos em comunhão com os outros. Talvez a história de Ted e Nisha possa ajudar às famílias a interrogar-se sobre a obrigação de reduzir o tempo que gastam com esses meios tecnológicos, e de passar um tempo de qualidade entre eles e com Deus.

Ouvimos, de Enass e Sarmaad, como o amor e a fé em família podem ser fontes de força e paz, mesmo no meio da violência e da destruição, causadas pela guerra e a perseguição. A sua história recorda-nos as trágicas situações que sofrem quotidianamente muitas famílias, forçadas a abandonar as suas casas à procura de segurança e de paz. Mas Enass e Sarmaad indicaram-nos também como, a partir da família e graças à solidariedade manifestada por muitas outras famílias, a vida pode ser reconstruída e renascer a esperança. Vimos este apoio no vídeo de Rammy e seu irmão Meelad, onde Rammy expressou profunda gratidão pelo incentivo e a ajuda que a sua família recebeu de muitas outras famílias cristãs do mundo inteiro, fazendo com que fosse possível que eles voltassem para o seu vilarejo. Em cada sociedade, as famílias geram paz, porque ensinam o amor, o acolhimento e o perdão, que são os melhores antídotos contra o ódio, o preconceito e a vingança que envenenam a vida de pessoas e comunidades.

Como ensinou um bom padre irlandês, «a família que reza unida permanece unida» e irradia paz. Tal família pode ser um apoio especial para outras famílias que não vivem em paz. Depois da morte do padre Ganni, Enass, Sarmaad e as suas famílias optaram pelo perdão e a reconciliação, em vez do ódio e do rancor. À luz da Cruz, viram que o mal só se pode contrastar com o bem, e o ódio só se pode superar com o perdão. De forma quase incrível foram capazes de encontrar paz no amor de Cristo, um amor que faz novas todas as coisas. Nesta noite partilham esta paz connosco.

O amor de Cristo, que tudo renova, é o que torna possível o matrimónio e um amor conjugal caracterizado por fidelidade, indissolubilidade, unidade e abertura à vida. Foi o que quis evidenciar no quarto capítulo de Amoris laetitia. Vimos este amor em Mary e Damian e na sua família com dez filhos. Obrigado pelas vossas palavras e o vosso testemunho de amor e fé! Experimentastes a capacidade que o amor de Deus tem de transformar completamente a vossa vida e de vos abençoar com a alegria de uma linda família. Dissestes-nos que a chave da vossa vida familiar é a sinceridade. Pela vossa história, compreendemos como é importante continuar a ir àquela fonte da verdade e do amor que pode transformar a nossa vida: Jesus, que inaugurou o seu ministério público numa festa de núpcias. Lá, em Caná, mudou a água num vinho novo e doce que permitiu continuar magnificamente a jubilosa celebração. O mesmo se passa com o amor conjugal. O vinho novo começa a ferver durante o tempo do noivado, necessário mas passageiro, e matura ao longo da vida matrimonial num mútuo dom de si mesmo que torna os esposos capazes de se fazerem, de dois, «uma só carne». E de abrir, por sua vez, os corações a quem tem necessidade de amor, especialmente quem está sozinho, abandonado, fraco e, enquanto vulnerável, muitas vezes posto de lado pela cultura do descarte.

Por toda a parte, as famílias são chamadas a continuar a crescer e seguir em frente, mesmo no meio de dificuldades e limites, precisamente como fizeram as gerações passadas. Todos somos parte duma grande cadeia de famílias, que remonta ao início dos tempos. As nossas famílias são tesouros vivos de memória, com os filhos que, por sua vez, se tornam pais e, depois, avós. Deles recebemos a identidade, os valores e a fé. Vimo-lo em Aldo e Marissa, casados há mais de cinquenta anos. O seu matrimónio é um monumento ao amor e à fidelidade! Os seus netos os mantêm jovens; a sua casa está repleta de alegria, de felicidade e de danças. O seu amor mútuo é um dom de Deus, um dom que estão a transmitir com alegria aos seus filhos e netos.

Uma sociedade que não valorize os avós é uma sociedade sem futuro. Uma Igreja que não tenha a peito a aliança entre gerações acabará sem o que conta verdadeiramente, o amor. Os nossos avós ensinam-nos o significado do amor conjugal e paternal. Eles próprios cresceram numa família e experimentaram o afeto de filhos e filhas, de irmãos e irmãs. Por isso, constituem um tesouro de experiência e sabedoria para as novas gerações. É um grande erro não interpelar os idosos sobre as suas experiências ou pensar que seja uma perda de tempo conversar com eles. A propósito, quero agradecer a Missy o seu testemunho. A senhora nos disse que, entre os nómades, a família sempre foi uma fonte de força e de solidariedade. O seu testemunho nos lembra que, na casa de Deus, há um lugar à mesa para todos. Ninguém deve ser excluído; o nosso amor e a nossa atenção devem estender-se a todos.

É tarde e estais cansados! Mas deixai que vos diga uma última coisa. Vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo! Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criou a humanidade à sua imagem para fazê-la participante do seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse daquela paz que só Ele pode dar. Com o vosso testemunho do Evangelho, podeis ajudar Deus a realizar o seu sonho. Podeis contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa, para o mundo inteiro, viver em paz como uma grande família. Por este motivo, desejei entregar a cada um de vós uma cópia de Amoris laetitia, que escrevi para ser uma espécie de guia a fim de se viver com alegria o Evangelho da família. Que Maria nossa Mãe, Rainha da família e da paz, sustente a todos vós no percurso da vida, do amor e da felicidade!

E agora, no final do nosso serão, rezaremos a oração deste Encontro das Famílias.

[Oração e Bênção]

Boa noite. Dormi bem; até amanhã”.

Assembleia Diocesana da Pastoral da Catequese – 17 de Março de 2018

Todo último domingo do mês de agosto, a Igreja no Brasil celebra o DIA DO CATEQUISTA, que dentro do mês vocacional, também é dedicado ao leigo.

A maior expressão do laicato hoje dentro da Igreja está no serviço de CATEQUISTA. Só em nossa diocese, somos 944 catequistas. E como educadores da fé, fazemos parte da equipe de ANIMAÇÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA que, juntamente com a ANIMAÇÃO BÍBLICA LITÚRGICA, formamos os dois pilares essenciais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

É uma missão fundamental, e a maior riqueza está em valorizar e reconhecer a importância da catequese como ensinamento essencial da fé, pois se é priorizando esse pilar, seja na Paróquia seja na comunidade, que o ensinamento da fé se torna uma base sólida, visível como fermento na massa.

O catequista está a serviço da iniciação à vida cristã. É uma formação gradual e contínua, onde iniciamos crianças, adolescentes, jovens e adultos no processo de educação da fé e nos três sacramentos iniciais (BATISMO, CRISMA E EUCARISTIA). Nosso principal objetivo é ser uma ponte entre o catequizando e Jesus, fazendo com que eles façam uma experiência do amor de Deus através do anúncio do Querigma.  Depois, dedicamos através dos encontros de catequese e celebrações litúrgicas, o estudo do conteúdo da fé, entrar na vida dos sacramentos, estudo da moral cristã e buscar ter uma profunda vida de oração. E a Bíblia se torna a centralidade dos encontros aperfeiçoando o método orante de escuta e prática cotidiana, FÉ e VIDA.

Importante mencionar que a catequese (ensinar) remonta à época apostólica, prática nas primeiras comunidades, sec. I e II. Já nos séculos III e IV elaborou-se o catecumenato que dava formação sistemática e celebrativa aos que queriam se tornar discípulos de Jesus. Mais tarde, na Idade Média, a fé cristã se encarnou na religiosidade popular; na época moderna, acentuou-se o conhecimento doutrinal da formação religiosa. E desde o século XX, principalmente após o Concílio Vaticano II, fortaleceu-se uma catequese mais bíblica e celebrativa. Por isso, ser catequista é dar continuidade ao ministério da Palavra iniciado por Jesus e transmitida aos apóstolos. A catequese é uma tradição oral, contada, passada, ensinada de geração em geração. “O catequista dedica-se de modo específico ao serviço da Palavra, tornando-se porta-voz da experiência cristã de toda a comunidade. O catequista é, de certo modo, o intérprete da Igreja junto os catequizandos. Ele lê e ensina a ler os sinais da fé” (CR 145).

A nossa Diocese de Guajará-Mirim, pelo atual senso, conta que nós catequistas, estamos à serviço em todas as paróquias. Na região Sede, coordenado pela catequista Hingry, temos a conta de 60 catequistas em cada uma das Paróquias, N. S. Seringueiro e N. S. Aparecida, na cidade de Guajará-Mirim, e os coordenadores paroquiais são, Ronaldo e Eudiene, respectivamente. Em Nova Mamoré, a paróquia São Francisco de Assis, tem 45 catequistas, a Marlene é a coordenadora; São 71 catequistas em Nova Dimensão (N. S. de Fátima) o Odair José é o coordenador paroquial. Na região Centro, a coordenadora é a Marli, e, nas paróquias São Francisco de Assis (cidade de São Francisco), tem 75 catequistas, o Anselmo é o coordenador; na Basílica Menor (Costa Marques) tem 45 catequistas, a Marli é a coordenadora.  Em São Domingos de Gusmão, distrito de São Domingos, há 26 catequistas, a Edna é a coordenadora. Em Seringueiras, o padre Francisco coordena 90 catequistas. E, em São Miguel Arcanjo é o Edson quem coordena 153 catequistas. Já na Região Sul, a Maria José faz a articulação das paróquias de Cristo Rei (Cabixi), que tem 62 catequistas e é coordenada pela Maria Aparecida; N.S. Perpetuo Socorro em Corumbiara com 60 catequistas, tem a Olga como coordenadora; A paróquia Cristo Rei (Cerejeiras) conta com 85 catequistas, Ana Maria é a coordenadora paroquial e na paróquia N. S. Aparecida, cidade de Colorado D’Oeste tem 112 catequistas e a Maria José as coordenam. Nestas regiões queremos lembrar que há o trabalho de assessoria do clero, da Ir. Luciana, Pe. Renato e Ir. Rosangela.

Temos ainda, os catequistas que coordenam a catequese diocesana, Maria Cristina, Mª Rosangela e Eudiene. Vale ressaltar, que além de mim, a nova coordenação que assumirá a partir da próxima assembleia em 2019, são os catequistas Ronaldo, Sueli e Francisco, não se esquecendo da assessoria do Padre Willian, de Colorado, que nos auxilia e orienta na caminhada e projetos pastorais.

Nós catequistas semeamos, mas sabemos que quem faz florir é o Senhor. Que neste dia 26, domingo, possamos celebrar, festejar e louvar a Deus pela vocação mais linda dentro da Igreja: catequista por amor, vocação e doação.

 

Maria Cristina

Coord. Diocesana da Past. da Catequese

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