III Encontro da Igreja Católica na Amazônia

Manaus, 20 de Agosto de 2018

Entre os dias 20 a 23 de agosto de 2018 em Manaus, aconteceu o III Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal. Este evento é organizado pela Comissão Episcopal para a Amazônia, CNBB – Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil e REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazônica. Tem como objetivo aprofundar as questões relacionadas ao Sínodo para a Amazônia convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2019, a abertura do Sínodo praticamente aconteceu em Puerto Maldonado – Peru, por ocasião do encontro do papa com os indígenas. Vivemos um tempo crucial quanto ao futuro da vida humana em nosso planeta como bem alertou O estudioso L. Fabius em Paris, na COP21, sobre a crise climática: “Mais tarde, tarde demais”.

O sínodo para a Amazônia visa refletir sobre os novos caminhos de evangelização a ser elaborados para o povo de Deus que habita nesta região: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades, e grandes metrópoles, ribeirinhos, quilombolas, migrantes, deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas.

A bacia amazônica representa para o nosso planeta uma das maiores reservas de biodiversidades (30 a 50% da flora e fauna do Mundo), de agua doce (20% da água doce não congelada de todo o planeta), e possui mais de um terço das florestas primárias do planeta. São mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados, com nove países que fazem parte deste grande bioma que é a Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela incluindo a Guiana Francesa como território ultramar).

Registra-se uma presença aproximada de três milhões de indígenas, constituída por cerca de 390 povos e nacionalidades diferentes. Num território tão diverso, com muitos tipos de “Amazônia”, a ocupação demográfica da mesma antecede o processo colonizador por milênios. Continuamente, sem embargo, a riqueza da floresta e dos rios da Amazônia está ameaçada pelos grandes interesses econômicos que se alastram sobre diferentes regiões do território.

Lamentavelmente, ainda hoje existe restos do projeto colonizador que criou manifestações de inferioridade e satanização das culturas dos povos tradicionais; por isso em Puerto Maldonado o Papa Francisco afirmou: “provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como agora, a Amazônia é uma terra disputada em várias frentes”.

Por isso ele foi enfático em pedir que se transforme o paradigma histórico em que os estados veem a Amazônia como despensa de recursos naturais sem ter em conta os seus habitantes.

É necessário também reconhecer que na região amazônica existe uma grande diversidade cultural e religiosa. Em sua maioria promovem o bem viver como projeto de harmonia entre Deus, os povos e a natureza. O desafio são algumas denominações religiosas, sobretudo pentecostais que motivadas por interesses alheios ao território e a seus habitantes nem sempre favorecem uma ecologia integral.

O III Encontro da Igreja Católica na Amazônia legal é um chamado, uma oportunidade de enfrentar estes cenários, aprofundando a identidade eclesial, partilhando experiências, crescendo no compromisso ético e libertador, crescendo na espiritualidade da escuta e da sabedoria de seus povos.

 

+ Dom Benedito Araújo

Bispo Diocesana de Guajará-Mirim