Homilia de Dom Benedito Araújo.

Pentecostes e a Irmandade do Senhor Divino

Na solenidade de Pentecostes, em muitas comunidades do nosso Brasil e do mundo as chamas do Divino incendeiam vidas, famílias, corações e toda a Igreja.

A piedade popular através dos seus festeiros em torno dos maiores símbolos da festa: a Bandeira, a Coroa e o Cetro, nos faz beber na historia e continuar atentos ao zelo desta respeitada tradição.

A nossa Diocese de Guajará Mirim é portadora deste patrimônio espiritual.

Hoje, no Distrito de Surpresa, a Irmandade do Divino Espirito Santo do Vale do Guaporé, celebra os seus 124 anos de Romaria fluvial. E em Guajará Mirim, nós celebramos os 52 anos de romaria terrestre.

Durante 50 dias, eles peregrinaram, como portas vozes da esperança, levando bênçãos e graças para tantos devotos/as do Senhor Divino.

Nesta devoção terrestre e fluvial, é o Espirito de Deus que nos impele para a vivência da “reconciliação”, afinal “é o amor que nos move” – Semana da Unidade 2017.

Na preocupação do salveiro, no ecoar da ronqueira, na chegada do mensageiro, na entronização dos símbolos da festa em cada lar, creio que a força de tudo nasce da Palavra de Deus,  convidando-nos para o  cuidado e a vivência dos sete dons  do Espirito Santo.

É esta experiência que nos conduz numa boa e séria vivência espiritual!

Esta festa na sua intenção primeira, na sua história, no seu simbolismo, me fez lembrar o que disse o Papa Francisco na solenidade de,  Pentecostes em 2014: “O Espirito santo nos ensina o caminho, nos recorda e nos explica  as Palavras de Jesus, nos faz rezar e dizer “Pai”    e Deus nos faz falar aos homens (e mulheres) no diálogo fraterno, nos faz falar na profecia. O dia de Pentecostes, quando os discípulos quando os discípulos “ficaram todos cheio do Espirito Santo”, foi o batismo da Igreja que nasce em saída, em partida para anunciar a boa noticia. A Mae Igreja, que parte para servir...”.

Como ouvimos na Palavra de Deus, cinquenta dias depois da Páscoa, o Espirito Santo prometido foi comunicado aos discípulos de Jesus, reunidos no cenáculo.  Cada um deles foi transformado interiormente e preparado  para realizar sua missão. A Partir dai partiram e anunciaram o Evangelho a quantos estavam reunidos, vindos das mais diferentes  regiões do oriente e do ocidente, todos os entendiam em sua própria língua e cultura.

O Apostolo Paulo percebe que os cristãos de Corinto estão em via de divisão, por isso indica os critérios para podermos reconhecer a  presença e a ação do Espirito Santo.

O primeiro critério é a fé em Jesus ressuscitado, outro critério é a unidade na diversidade.

De fato, Deus é a única fonte dos diferentes dons e carismas dados às pessoas em vista do bem de todos. Portanto, ter e participar da vida no Espirito Santo, quer dizer uma coisa  muito simples, é ser cristão de verdade; isso só é possível através de um caminho lento, caminho onde estamos sujeitos a recaídas e cansaços.

Os apóstolos tinham recebido todos os ensinamentos do Mestre, no entanto, depois de sua morte – ou por medo ou porque não sabiam bem o que fazer – tem-se a impressão de que caíram num certo desinteresse. Era como se tudo tivesse caído no vazio.

Quando o Espirito Santo chega, impetuosamente, as palavras se fazem fogo, e os doze se sentem como transtornados, tomados por uma força desconhecida que os arrasta a luta, ao compromisso, a fidelidade na fé, arriscando até a própria vida.

É o Espirito que dinamiza a pratica da fé, que clama com gemidos dentro de nós, para que saibamos ser testemunhas comprometidas com Jesus de Nazaré.

A solenidade de Pentecostes neste ano de 2017 é marcada por um pergunta que não quer calar dentro de nós: O que está acontecendo com o Brasil?

Aproveito para concluir, partilhando o pensamento da Conferencia Nacional dos bispos do Brasil na realização da 55ª Assembleia Geral que foi realizada em Aparecida. Estamos com “um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável  para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso de poder econômico e politico, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais. (Cf. Documentos da CNBB 50 – Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130). É sempre mais necessária uma profunda reformado sistema  político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja a construção do bem comum. Dai,

A necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, da cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízos dos interesses públicos”.

+ Benedito Araújo

Bispo Diocesano de Guajará – Mirim - RO

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